
Eu aprendi a admirar a família Coelho, de Petrolina, quando, ainda estudante de Direito na UFPE (87), consegui meu primeiro emprego como assessor parlamentar do então Deputado Joel de Holanda, na Assembleia Legislativa do Estado, para onde fui indicado pelo colega de turma Francisco Bandeira de Melo.
Lá na Assembleia não cansava de ouvir os discursos do ex-deputado Geraldo Coelho, assim como sempre ouvi com muita atenção os discursos do Dep. Oswaldo Coelho, já trabalhando na Câmara dos Deputados. Hoje, sempre que posso, leio os discursos do atual ministro Fernando Bezerra Coelho, enfim, o que me faz ser admirador dessa família é uma coisa simples: por trás da arrojada ação política deles, existe um (mais arrojado ainda) CONHECIMENTO TÉCNICO das causas que defendem.
Os discursos desses "caras" são verdadeira aulas sobre como se defende e se dinamiza economicamente cidades e regiões. Independentemente da orientação partidária e da divisão política da família, os caras são bons. Conhecem na palma da mão o relevo, a composição do solo, as potencialidades hídricas do São Francisco, as vocações econômicas e o povo de cada cidade do sertão, e, mais do que isso, conhecem os caminhos da burocracia a nível estadual e federal para se buscar recursos e transformar grandes ideias em realidade.
O Brasil inteiro sabe que Petrolina é o que é hoje graças à bravura do povo sertanejo, mas também ao papel de liderança política e do conhecimento técnico muito bem exercidos pela família Coelho. Isso é o que eu chamo de competência política.
Muito diferente da politicagem estéril que a gente tá acostumado a ver por aqui...
Infelizmente, o que tá sobrando por lá é o que está nos faltando aqui. A falta de conhecimento técnico do local e das fontes de recursos e labirintos da burocracia - que é o caminho para se transformar os sonhos e desejos de uma comunidade em ações concretas em benefício do seu desenvolvimento.
A meu ver, em matéria de desenvolvimento regional, a fórmula quase infalível é essa: conhecimento técnico + visão de futuro + competência política = desenvolvimento.
Abaixo segue um artigo do ex-deputado Oswaldo Coelho, publicado no Blog de Inaldo Sampaio, que mesmo já cansado pela idade e fisicamente debilitado, além de derrotado nas urnas, continua colocando sua impressionante lucidez e visão de mundo a serviço do seu amado sertão....
Ah, se meu agreste tivesse uma meia dúzia de políticos assim...
Esse artigo que segue é também um bom exemplo daquilo que podemos chamar de crítica inteligente e construtiva.
OBRAS INADIÁVEIS NO VALE DO SÃO FRANCISCO
Hoje, nós vamos conversar sobre o sertão chamado ‘ribeirinho’, aquele que vai de Petrolina até Belém do São Francisco, os nossos projetos que representam a nossa potencialidade, que precisam deixar de ser potencialidade para se tornar uma realidade, numa unidade produtiva. Isso é o que eu quero advertir sobre o que a gente tem que conquistar. Não se conquista com uma pessoa só. Andorinha só não faz verão. É preciso haver uma consciência, uma vontade, algo que leve à prosperidade.
Fiz uma viagem de observação de problemas da região. Passei na Agrodam, passei no Vale, conversei com pessoas e procurei o governador e disse-lhe: “- Governador, eu lhe trago uma boa ideia. Ilhas. Todas as ilhas já estão energizadas, são drenadas. Algumas delas, como a Ilha da Assunção tem uma ponte, tem ponte com a terra firme, e 04 balsas a serviço de ilhas no Vale do São Francisco. Uma a serviço da Ilha do Massangano, uma a serviço do Pico, uma a serviço de Santa Maria da Boa Vista e uma a serviço de Belém. Uma série de infraestruturas já está disponível para chegar à produção, ao emprego, ao trabalho.”
Essa ideia foi bem acatada pelo governador que determinou o estudo e esses estudos foram concluídos com orçamento. Muito me impressionou a empresa Agrodam, no município de Belém do São Francisco, ela tem uma gestão muito boa, a melhor manga que chega na Europa é dessa empresa. Sem estrada, uma dificuldade enorme para sair ou para entrar. O empresário precisa de condições, o resto ele faz. Tem que ser cobrado isso porque foi uma obra iniciada pelo Governo do Estado. Quem está dormindo diante desse problema é o Governo do Estado de Pernambuco. A gente precisa acordá-lo, adverti-lo de que nós precisamos disso, porque estes projetos representarão mais um Senador Nilo Coelho no Vale do São Francisco, mais empregos, mais frutas, mais exportação, mais dólar e mais bem-estar.
Precisamos fazer a implantação da pavimentação de uma estrada vicinal na Ilha Grande. A Ilha Grande tem uma extensão de 15 quilômetros, essa obra, no governo de Jarbas, foi orçada em R$ 4 milhões e meio. Depois, na Ilha da Várzea, 14 km, o custo da pavimentação é de R$ 3 milhões. Vem a Ilha do Coqueiro, em Petrolina, são dois 2 km de percurso, são necessários R$ 700 mil. Na Ilha do Pontal, em Lagoa Grande, são 8 km de pavimentação que custará pouco mais de R$ 2,4 milhões. Na Ilha do Pico, nas Pedrinhas, são 4 km, custa pouco mais de R$ 1 milhão.
Depois tem a estrada Belém de São Francisco – Ibó, de estrada são 31 km, vai favorecer e impulsionar toda produção agrícola e das ilhas. Essa estrada custaria R$ 14 milhões. E tem mais uma ponte, que é importantíssima para a produção agrícola do Belém do São Francisco, Abaré – Bahia. É uma ponte pequena, absolutamente viável, já foi até estudada algum tempo. Então, é preciso concluir os estudos e é preciso fazer. Com isso, a gente dinamiza a economia do Vale de maneira forte, de maneira barata. Esses projetos todos somados, no governo Jarbas custariam R$ 31 milhões.
Tem dinheiro pra tanta coisa e não tem 30 ou 40 milhões para dinamizar a economia aqui do Vale do São Francisco. Eu creio que tem uma cegueira do Governo. O governo precisa acordar para essas coisas, não pode transferir esse trabalho para diante, não. Isso é o que vai gerar emprego para os nossos jovens que estão na Universidade, que estão no IF-Sertão, que estão no Senai, que estão nas escolas. Eles estão lá perguntando o que é que nós que temos intimidade com o poder estamos fazendo para o futuro deles. Estamos chamando a atenção do governo, porque o governo tem que fazer isso. Veja que absurdo! Isso dormindo aqui há nove anos. Esse projeto é irmão gêmeo da irrigação que o Governo Federal não fez durante nove anos.
Se somarmos isso ao projeto da Ilha de Assunção que tem a ponte, o projeto foi feito por Jarbas, em determinado momento quando se falou da transposição, os índios pediram a pavimentação que foi feita, mas sem dar o efeito que queremos. Tem que haver uma ação do governo junto a FUNAI, junto aos índios que lá se encontram, para acertar uma convivência com empresários, para transformar aquela grande unidade produtiva, que são cinco mil hectares cercados de água por todos os lados, com uma ponte. Aquilo ali tem que ser muito produtivo, o banco tem que financiar os índios e outros. O que não está certo é jogar a responsabilidade no prefeito para fazer isso. A obra é maior.
O Governo do Estado deve criar condições que favoreçam a presença de pavimentação na Ilha para gerar empregos. Petrolina lança aqui, de uma hora para outra, loteamento de 6 mil lotes, uma coisa fantástica. Se não houver a produção, as unidades produtivas, as pessoas vão morar nesses lotes e trabalhar onde? Como se justifica, a gente numa cidade dessas, ver a sua potencialidade parada? Potencialidade é para ser dinamizada.
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